sábado, junho 08, 2013

" Agora Inês é morta..."

Túmulo de Inês de Castro

Na Invasão Francesa de 1810, soldados danificaram e profanaram os túmulos de Inês de Castro e D.Pedro, à procura de tesouros. Impossível recuperá-los totalmente. Por essa razão, lembrei-me da luta incansável do pintor russo Nikolai Roerich para que todos os países assinassem um documento comprometendo-se a , em caso de guerra,  preservar monumentos artísticos e culturais.



Túmulo de Inês de Castro

D. Pedro casou, em 1336, com Dona Constança, uma princesa castelhana, mesmo estando apaixonado por Inês de Castro, filha de ilustre família espanhola e dama de companhia de  sua esposa. Contança morreu após o parto de seu primeiro filho. D. Pedro I passou a viver publicamente com Inês, nascendo dessa relação quatro filhos. O pai , D.Afonso IV, proibiu que se casassem, temendo a influência espanhola. Em 1355, condenou Inês à morte. Ela foi assassinada na frente de suas crianças. Dois anos depois, D. Pedro torna-se rei e vinga a morte da amada, matando seus assassinos e decretando que Inês seja  honrada como rainha de Portugal.

Detalhe do túmulo de Inês
De tocante beleza, é esta cena  presente no túmulo de Inês ,em que um anjo a recebe morta - e coroada rainha. Por ordem de D. Pedro, como rei foi D.Pedro I,  os dois túmulos estão colocados com os pés dele na direção dos pés dela, para que, no dia do Juízo Final, ao levantarem-se, imediatamente um visse o outro. Nos dois túmulos, está a inscrição: Até o fim do mundo.


As imagens dos assassinos de Inês de Castro, aqueles que foram mais tarde assassinados por D.Pedro, constituem suporte para o túmulo e mostram expressões faciais horrendas e próprias de cada um. Cenas da vida de Inês estão detalhadamente representadas, bem como cenas representativas do Juízo Final, com o encontro dos amantes.

Roda da Fortuna na cabeceira do túmulo de D.Pedro
Inês foi assassinada quando D.Pedro I havia saído para caçar, numa excursão com amigos.Segundo a lenda as lágrimas derramadas, no rio Mondego,  pela morte de Inês teriam criado a Fonte dos Amores da Quinta das Lágrimas e as algas avermelhadas que ali crescem seriam o seu sangue derramado. Em junho de 1360, D. Pedro I legitimou os filhos de Inês de Castro, afirmando que se tinha casado secretamente em 1354 em Bragança em dia que não se lembrava. A palavra do rei, de seu capelão e de um criado foram as provas necessárias para legalizar o casamento e , consequentemente, legitimar os filhos.

Vista parcial do Mosteiro de Alcobaça


Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, Monumento Nacional desde 1910 e uma das Sete Maravilhas de Portugal, o Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça, também conhecido como Real Abadia de Santa Maria de Alcobaça, é visita indispensável para quem vai a Portugal - está distante somente 100 km de Lisboa. Lá se encontram os túmulos de Pedro e Inês.

Entrada do Mosteiro de Alcobaça

"Traziam-na os horríficos algozes
Ante o Rei, já movido a piedade:
Mas o povo, com falsas e ferozes
Razões, à morte crua o persuade.
Ela com tristes o piedosas vozes,
Saídas só da mágoa, e saudade
Do seu Príncipe, e filhos que deixava,
Que mais que a própria morte a magoava”

 Sobre Inês de Castro. Canto III, estrofe 12, Lusíadas,Camões