quarta-feira, abril 03, 2013

" Outra vez te revejo - Lisboa e Tejo..."

Prédio grafitado, perto do hotel
Voando pela TAP, partimos de POA às 8h55min e chegamos em Lisboa às 11h40min , hora local. No aeroporto, longa espera na emigração, pois eram muitos os turistas brasileiros e argentinos. Pagamos 15 euros ao táxi, do aeroporto ao Turim Europa Hotel, onde estamos hospedados. É um 4 estrelas honesto , com café da manhã incluído e com diárias no valor de hotel 3 estrelas no Brasil. Próximo ao Parque Eduardo VII e às estações de Metrô Picoas e Parque, esse hotel oferece boas condições de visita à cidade. Está localizado também perto do Hotel Miraparque, outro hotel simples e agradável onde me hospedei várias vezes.

Centro histórico

Lisboa foi fundada pelos fenícios no século 12 a.C. e batizada como  Allis Ubbo, ou Porto Encantador, numa referência ao  porto natural do Tejo. Tem hoje mais de 600 mil habitantes. É uma cidade bonita e com muitos atrativos. Desta vez, entretanto, encontrei o centro um pouco mal cuidado. Portugal ingressou na União Europeia em janeiro de 1986. Mudou muito depois dessa data. Visitei-o também antes e depois da Expo98. Diferença grande! Acredito que esses mega eventos forçam  inovações e impulsionam mudanças.

Centro histórico
Em menos de duas horas após a chegada, já estávamos traçando Lisboa e revendo, assim, lugares de que sentíamos saudades - quando menciono saudade, sinto-me realmente em Portugal, já que essa palavra remete, por exemplo,  ao tema de Os Lusíadas, escrito por Luiz Vaz de Camões, em 1572. Remete também aos fados que bem retratam a alma portuguesa. Reli, hoje, na entrada da estação de metrô Parque,  :  "É preciso muito caos interior para parir uma estrela que dança."  Friedrich Nietzsche. 

Centro histórico
Gosto do metrô de Lisboa e de suas estações.  Encantam-me, além da arquitetura, os azulejos, que estão presentes em estações e residências  e que têm sido, ao longo de cinco séculos, importante e preciso  suporte de expressão artística portuguesa. O uso de azulejos em Portugal teve seu início no Palácio Nacional de Sintra, em 1503. Vale, realmente,  uma visita ao  Museu do Azulejo, em Lisboa.

Azulejos em Lisboa
 A conhecida Feira da Ladra pode ser visitada às terças e aos sábados. É interessante vê-la se a gente quiser conhecer mais o cotidiano dos lisboetas. Pechinchas, conversas, encontro de amigos, turistas e curiosos, num movimento contínuo,  a olhar livros usados, cds. de música portuguesa e de música clássica , roupas e acessórios para casa - ou  a  examinar  peças antigas, à procura de relíquias ou de presentes originais. Desta vez, passei rapidamente lá.

Nós!
A temperatura estava agradável e, para terminar o dia,  um passeio ao Rossio é tudo de bom. Da rua Augusta, fomos ao elevador Santa Justa e , de lá, ao Café A Brasileira - sempre tomo um café nesse lugar para fazer breve homenagem a Fernando Pessoa - segundo Ronald, o único homem de quem ele deveria ter ciúmes.Fernando Pessoa escreveu, em 1925, no seu livro O que o turista deve ver, uma detalhada descrição dessa área, iniciando pelo parágrafo que transcrevemos a seguir:
Detalhe de prédio no Centro Histórico
" Chegamos agora à Praça D. Pedro IV, geralmente conhecida por Rossio. É um vasto espaço quadrangular (...) é o coração de Lisboa (...) No meio da praça, fica a estátua de D. Pedro IV, que data de 1870 (...) Este monumento é um dos mais altos de Lisboa, medindo mais de 27 metros.Compreende uma base de pedra, um pedestal de mármore, uma coluna de mármore branca e a estátua de bronze. A parte inferior contém quatro figuras alegóricas, representando a Justiça, a Força, a Prudência e a Temperança..."  Seguindo adiante, ele descreve um cenário que continua, em parte,  porque o número de elétricos já não é o mesmo..

Centro histórico e vista do castelo
 "O grande movimento e circulação que se vêem no Rossio, são devidos ao facto de a maior parte das linhas de eléctrico passarem por esta praça, ao grande número de lojas hotéis e cafés que ela contém, e também a proximidade da Estação Central de Lisboa da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses."

Inigualáveis os doces portugueses
Não me sinto em Portugal sem comer uma bacalhoada - embora a bacalhoada com que Deborah nos esperou, em Porto Alegre, estivesse deliciosa. O restaurante escolhido, simples e acolhedor, serviu-nos um bacalhau com nata impecável.  Depois, um café   e a certeza de que, por hoje, só mais uma caminhada e bastava!

Uso do vermelho como tendência para o verão

E, ao caminhar pela cidade, observo vitrines, vejo tendências para as cores de verão, comparo preços e , uma vez mais, dou-me conta de que Portugal não é um país caro. Talvez seus preços se aproximem dos preços do leste europeu . Vem a hora do metrô e do hotel. No hotel, a constatação de que sobrou ainda energia para escrever este pequeno texto.

Centro
Fico feliz ao caminhar - e caminho muito - nesta cidade, olhando atentamente para todos os lados, guiada por textos e versos de meu poeta preferido ( até meu joelho lesionado parou de doer! ).
Elevador de Santa Justa
 " Outra vez te revejo - Lisboa e Tejo e tudo -,
Transeunte inutil de ti e de mim,
Estrangeiro aqui como em toda a parte,
Casual na vida como na alma ..."

Fernando Pessoa