segunda-feira, abril 08, 2013

Mosteiro de Batalha ou de Santa Maria da Vitória

Mosteiro de Batalha

É a segunda vez que visito Batalha, uma cidade moderna com somente uma grande atração, o soberbo Mosteiro de Santa Maria da Vitória, mais conhecido como Mosteiro de Batalha, uma das Sete Maravilhas de Portugal e considerado Monumento Nacional desde 1910. Em 2007, a UNESCO o declarou Patrimônio Mundial.

Lateral do Mosteiro de Batalha

O Mosteiro de Batalha é o exemplo maior da arquitetura manuelina, designação criada por Francisco Varnhagem para agrupar as obras realizadas com base no estilo do tempo de D.Manuel I. Varnhagem encontrou, como unidade formal, a vinculação dessas obras  ao período de expansão marítima e a representação de um certo exotismo que as diferenciava. Para meu consumo, entretanto, importa saber que a chamada arquitetura manuelina é a fase final do gótico.

Porta principal do Mosteiro

A construção do Mosteiro de Batalha foi iniciada em 1386, por ordem de D.João I , para celebrar a batalha de Aljubarrota, travada em 1385, ao sul desse lugar. D. João havia pedido a ajuda da Virgem Maria e prometido construir uma soberba abadia se os portugueses saíssem vitoriosos.

Porta principal com seus múltiplos arcos

Eram pouco mais de 6 mil portugueses, ajudados por algumas centenas de soldados ingleses, comandados todos por Nuno Álvares Pereira. Apesar da desvantagem numérica, conseguiram expulsar 30 mil homens de Juan I de Castela, que reivindicava o trono de João d´Avis. Essa foi a história que ouvi - de  portugueses naturalmente.

Detalhes dos arcos da porta principal


Venceram e o mosteiro foi construído durante dois séculos, no tempo de passagem de sete reis. Tornou-se um mosteiro dominicano e teve acréscimos, modificações e reconstruções ao longo vários séculos. As últimas alterações foram feitas no século XVII. Impressiona por ter a mais alta igreja de Portugal - para estarem mais perto de Deus certamente!


O edifício do Mosteiro de Batalha é todo feito com pedra calcárea, de cor ocre, com enormes colunas, parapeitos, balaustradas e entalhes - precisa realmente de muito tempo para ser visto como merece. A porta principal tem camadas de arcos e , sobre esses arcos, estão esculpidos anjos, apóstolos, santos e profetas. Impossível reparar em tudo, dispondo apenas de algumas horas em uma só visita.
Interior austero,longo e alto.



O interior do Mosteiro impressiona pela grandiosidade, harmonia e beleza e também pela luminosidade que vem através de vitrais belíssimos. Na entrada, à direita, está a capela do fundador, tendo ao centro a tumba conjunta de D. João I e de sua esposa, a inglesa Filipa de Lancaster. Estão , ainda, as tumbas de seus quatro filhos, sendo um deles D.Henrique, o Navegador.

Impressionante luminosidade em detalhes
Contam que o enorme teto, todo arqueado, foi considerado tão perigoso de construir que apenas prisioneiros condenados  à morte foram empregados para trabalharem ali. Não consegui saber quantos despencaram lá de cima!

Delicadeza na austeridade
Numa das salas, o túmulo dos soldados desconhecidos - um morto na I Guerra Mundial e o outro morto em Moçambique - com guarda de honra e com a imagem de Cristo das Trincheiras. Ironicamente, a imagem do Cristo está parcialmente destruída, atingida durante uma guerra.
Há muito o que ver. Merece longa visita.

"Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa."


Fernando Pessoa