sábado, outubro 06, 2012

Vamos a Rivera?



















A pergunta-título é frequente em conversas dos moradores da fronteira do Rio Grande do Sul. O Uruguai é realmente um país-irmão ou um vizinho-amigo. Nele, compravam-se as roupas de inverno para toda a família e muitos apetrechos , incluindo o tradicional poncho azul, para todos os gaúchos do campo. Com o surgimento dos free shops, o fluxo de compradores aumentou e diversificou-se. Já não se compram unicamente botas; compram-se tênis de grifes internacionais. Compram-se queijos , doce de leite, bebidas, enlatados, roupas, perfumes e muchas cositas más. De viagra a chocolate suiço.





















Nem importa  tanto a cotação do dólar. Importa a parrillada, a sonoridade da língua espanhola, os amigos de muitas cidades que  encontramos lá, principalmente nos sábados ou nos feriados nacionais daqui. Importa o agradável passeio que se pode fazer. Sinto-me, realmente, indo para o exterior, ainda que percorra pouco mais de 100 km para chegar a Rivera. Ontem , estive lá, porque fui a Livramento fazer outro passaporte.

                                                                                   



















A novidade da vez foi o Free Shop , cuja loja-âncora é a tradicional Sineriz. O shopping é grande, num local agradável, fora das ruas principais, com amplo estacionamento. Parece não estar ainda totalmente concluído. Algumas coisas , entretanto, são lamentáveis, com destaque para a escolha musical. O tempo todo em que lá estive, precisei suportar música brasileira sertaneja. O Brasil tem excelente produção musical - MPB boa não falta. Se preferem música regional, o RGS tem músicas de boa qualidade também. Fazer compras ouvindo sertanejo é desanimador. Não interessa se é sertanejo primário, secundário, universitário, as letras e a linha melódica dor-de-corno é deprimente. 




















O Uruguai não precisa disso. Nem nós. Já basta fazer compras nos supermercados da nossa região sendo agredida por música alta e de má qualidade. Gostaria de saber quem orienta os estabelecimentos comerciais nessas escolhas. É música para cortar os pulsos, não para comprar.
Observei também um certo descuido com os banheiros, que estão novos , mas não estão bem limpos - precisam de Bom Ar ou equivalente. Outro fato lamentável - externo, todavia, ao Shopping - é o descuido com as áreas de estacionamento. Vi embalagens plásticas  e  latinhas de refrigerante e de cerveja jogadas no chão. Muito feio isso.





















Coincidentemente, quando estávamos a caminho de Livramento, passou por nós um carro - um bom carro - com uma família de cinco pessoas. Surpresa, vi o homem jogar, pela janela,  uma garrafa plástica na estrada e , logo depois, a mulher jogar uma caixa de papelão. Senti pena das crianças com esse exemplo predatório, sem educação e sem consideração com o meio-ambiente. Depois, elogiamos a limpeza das ruas e das estradas de outros países - onde, certamente, são limpos porque ninguém lá faria uma grossura dessas. Triste mesmo, mas  fácil de melhorar, se cada um fizer a sua parte ou se houver política definida e aplicável para esses casos.


























Voltando ao shopping, lá tem mais o que ver, além da  ampla e diversificada Sineriz. A Ta-Ta , também tradicional loja uruguaia, está no mesmo prédio e é um misto de loja com supermercado, vendendo produtos de limpeza, pães, verduras, carnes e muito mais. O espaço destinado a  alimentação me pareceu bom. Os atendentes, gentis e disponíveis. Os preços, normais.Tomei um café com pasteizinhos, muito bem preparados, na cafeteria Punta Ballena, onde o pessoal  também se mostra eficiente e cortês.Voltarei, na próxima semana, a Livramento para buscar meu passaporte, na Polícia Federal.





















Não deixarei de ir, ainda que rapidamente, a Rivera. São pequenas viagens que se faz com grande alegria. Vale o movimento, o ir-e-vir , o aproveitar cada dia , pois:

"O próprio viver é morrer, 
porque não temos um dia a mais na nossa vida 
que não tenhamos, nisso, um dia a menos nela"
Fernando Pessoa