segunda-feira, junho 04, 2012

Paxton - Thanks!

Na igreja, domingo último
Biblioteca Pública
Paxton é uma cidade tranquila, limpa e ordenada,  cuja base econômica é o cultivo do milho e da soja. A grande modificação que anualmente encontro,  é o cultivo do milho onde, no ano anterior, era soja e o cultivo da soja, onde era o milho. No mais, tudo igual - como igualmente estão minhas roupas,sapatos, livros e outros objetos pessoais, a cada retorno.

Com cerca de 5 mil habitantes, a vida social tem como núcleo a igreja - seja ela luterana, presbiteriana, metodista ou católica.  O programa de domingo lembra muito os quatro anos de minha adolescência , vividos em Rosário do Sul. Levantar, tomar banho, vestir as melhores roupas e ir para a igreja. Depois, almoço em família. Observo, entretanto, duas diferenças. A família toda vai à igreja, com bebês, crianças pequenas, adolescentes, jovens, adultos e velhos e há muita música, com apresentações de novos talentos, como os sobrinhos de Ronald. As famílias participam do café da manhã, um café delicioso, com calorias que devem ter a metade das previstas para toda a semana.

Há 5 km de Paxton..
Problemas maiores são resolvidos em Champaign; empregos melhores são alcançados também lá ou em outros municípios próximos. As pessoas, em geral,  são  discretas e gentis; são também  religiosas, conservadoras, ordeiras e trabalhadoras, muito trabalhadoras. Muita gente, como Ronald e eu, vive no meio rural - lugar plano, seguro, bonito. Talvez minha origem rural contribua para que eu me sinta bem neste lugar.

Um dos prédios mais bonitos da cidade é a Biblioteca Pública . Essa biblioteca resulta de uma história interessante. Oriundo da Escócia, Carnegie tornou - se , nos Estados Unidos, um industrial muito rico. Usou parte de sua fortuna para construir e equipar colégios e bibliotecas públicas em todo o país. Paxton foi uma das comunidades contempladas. Forma inteligente e bonita de tornar-se inesquecível por uma boa ação.

Elizabeth, sobrinha de Ronald
Sempre lamento quando conterrâneos meus referem-se ao povo dos Estados Unidos dizendo " os americanos são assim..." , ignorando as enormes diferenças regionais existentes neste país. Lamento, da mesma forma, quando escuto na Europa " os brasileiros são assim...e, logo após, uma referência a características muito específicas de um determinado Estado - ou de um preconceito disseminado.

Como é difícil a aceitação da diversidade e da alteridade, assim como é difícil o nosso transcorrer do tempo, sem ficar enraízada num período ou fase da vida.

Este, portanto,  é o meu olhar de 2012...não é o olhar dos anos sessenta, dos anos oitenta ou do início do milênio. Pensando nisso, lembrei-me de um livro fantástico, que acabei de ler e que foi  presente de minha amiga Gilca Lovato : Debaixo da minha pele .  A autora, Doris Lessing,  descreve magnificamente os pontos de vista de acordo com a idade. Escreve ela sobre a mudança de perspectiva: "...é como escalar montanha enquanto a paisagem vai mudando a cada curva da trilha."