domingo, abril 08, 2012

Bélgica - Bruxelas e Brugges




















Gosto da Bélgica. Até aí, nenhuma novidade, pois gosto do mundo. Bruxelas e Brugges, entretanto, lembram-me arquitetura magnífica , praças com bancos confortáveis, lindos parques, jardins com infinidade de tulipas, delicados bordados e rendas, exposições com bons trabalhos de artistas locais, wafles com creme, chocolate Godiva, bolsas Kipling e batata frita - não bebo cerveja por isso não a  incluo nessa relação.



I
sso já me bastaria.  Têm, entretanto, muito mais. Já estive nessas duas cidades, em todas as estações. Do parque de uma das fotos, tenho outras , feitas durante o outono, quando o chão estava coberto de folhas coloridas. Eu as visitei  no inverno, na primavera ( agora) , no verão e no outono - e, em todos os esses dias estavam lindas, lindas. (Deixo este texto inconcluso porque estou tensa, tensa demais para escrever sobre as belezas de Bruxelas e Brugges, cidades que visitei agora, já pela quinta vez.)
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Hoje, na estação de Bruxelas MIDI, enquanto eu fazia câmbio de alguns euros para libras, os do mal - como diz  meu neto - roubaram, com competência e rapidez,  a minha mochila com notebook e muitas fotos; câmera e vários pendrives; cópias de documentos e passagens; I Pod , com fotos de meus filhos e netos e uma seleção musical linda que Patati fizera para mim ( esse foi o item roubado que mais me abalou ) ; livros, roupas e outras coisas mais. Sim! fiz o registro na Polícia , que foi muito lerda e por isso perdemos o trem. Sobre a mesa do funcionãrio, havia várias denúncias de roubos semelhantes , naquela manhã. Parece que uma gang está atuando , nas estações, desse País. Já me haviam avisado para estar atenta a esses roubos. A gente, contudo , parece não acreditar que pode acontecer com a gente mesmo. Parecem coisas que só acontecem com os outros!


























Aproveito para registrar todo o meu cansaço com os discursos ideológicos atuais, sejam de direita, de esquerda, de centro ou do alto!!! Nada de novo estou registrando.  Millôr Fernandes, ainda nos anos 70, produziu uma belíssima peça teatral sobre a falência das ideologias. Na hora do problema concreto, a gente quer mesmo é sentir a perda, mesmo que sejam objetos recuperáveis - menos as fotos, perdas irreversíveis porque eram antigas e sem cópias. A gente quer mais é que essas coisas não ocorram.  Nada de discurso. Estou sentida, com raiva! Imagino quando essa perda é de uma pessoa amada - e quanta gente já passou por isso em sequestros e assaltos. Comigo foi pouco, bem sei, mas a insegurança que gera é bastante forte. Afinal todos nós queremos direitos humanos, entre eles o direito de ir e vir, de não andar tensa ou paralisada pelo medo.





















Entramos no trem seguinte e chegamos cedo ainda a Londres. Pouco a pouco, começa a passar a brutal sensação de impotência de que somos possuídos nesses episódios. Estou mais tranquila e conformada agora. Não pertenço , de verdade, ao grupo das pessoas que se apegam , fortemente, aos seus bem materias e discursam sobre a socialização dos bens alheios. Desapego-me com facilidade.Fica, assim, a experiência da gestão de um momento real de insegurança, neste mundo que as gentes o fizeram assim.  Para fazê-lo melhor, não será nada fácil. Longa e complexa história. Escrever fez-me bem. E devo estar bem amanha para enfrentar algumas burocracias. Agora preciso mesmo é de abraço.