sexta-feira, março 23, 2012

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Meu filho e meu neto

Como sou antiga - tenho 68 anos - vi, a partir da leitura dos diários, dos relatos, das listas e dos fóruns ,  nascerem os blogs e,  nesse início, percebi que havia para eles um espaço especial no mundo. Lembrava-me dos artigos científicos, primeiro publicados em jornais e revistas e , só depois, aparecerem sob a forma de livros. Os blogs pareciam-se mesmo com os artigos, pela antecipação do que a blogosfera seria capaz de produzir, pelos temas de discussão, pela circulação de inovações, pelo aprofundamento de informações, enfim, de tudo o que se necessitasse pesquisar em rede. E hoje, para qualquer assunto consultado, o Santo Google, por exemplo, remete-nos também a alguns blogs. Poderemos, então, selecionar o(s) que nos agrada(m) e descartar o que não nos interessa. Liberdade de produzir; liberdade de ler ou não. Direito a escolha de escrever e de apreciar. De um pouco menosprezado no início a aceito posteriomente, já se têm hoje bons estudos sobre blogs e bons blogs para diversificados temas - o que não se pode mais é ignorá-los como meio social de relacionamento. Fico curiosa imaginando o que virá depois dos blogs, qual será o novo formato.



Meu irmão e meus sobrinhos
Quando estudante, tinha a utopia de estudar História através de autobiografias. Vejo sinais dessa possibilidade nos textos que circulam na internet. Talvez por essa razão tais leituras tenham exercido fascínio sobre mim e influído no surgimento do www.correndomundo.blogspot.com , em 2006,  acrescido ainda pelas razões que transcrevo a seguir:
                                        
Minha filha e meu neto
                                   
Transições são dificuldades duríssimas para mim. Abandonar um emprego, trocar de cidade, ser traída por uma amiga, terminar um relacionamento,ver um filho partir, largar tudo, começar tudo de novo, foram passagens doídas, transições sofridas - e sofridas. Nos intervalos dessas transições, já engordei 10 kg em um mês, já fiz pneumonias várias, já tive crises alérgicas terríveis. Mudei. Felizmente mudei. Abandonei as somatizações.Tornei-me mais produtiva. Bordei uma toalha de jantar imensa, em ponto-de-cruz, para a Téssia, em uma semana; em outra crise, teci cinco blusões em dez dias; em outra, viajei durante cinco dias e cinco noites praticamente sem dormir; e, ainda, em uma outra, bordei um tapete de dois metros quadrados em um mês... A transição que faço agora, neste primeiro semestre de 2006, deixando a Bahia depois de sete anos e voltando para o Sul, faz surgir este BLOG. 
PS. Meu filho, que sempre morou comigo,viajará em breve para a Alemanha e posteriomente para a Índia.

Meu filho e minha nora
                                                     
                                              
Decidida , portanto, em abril de 2006,  a iniciar um blog, precisei dar um nome a ele. Surgiu fácil, recordando a expressão usada, frequentemente,  por minha mãe, quando exprimia sua preocupação com minhas constantes viagens:  " Ela vive correndo mundo..."

Meu filho e minha nora
                                         

Inicialmente, não pensei em fazer um blog de viagem. Imaginava uma sequência de textos intimistas, desses que englobam memórias, diários e cartas, com imbricações entre eles, já que é difícil uma exata delimitação.Sabia, portanto, que o blog seria composto por textos na primeira pessoa, desses em que o sujeito se reflete e reflete sobre si mesmo. Abri o Correndomundo , escrevendo:

Sobrinhos
                                               
Podem me encontrar nos lugares mais diversos que me encontrarão entre afetos.Ainda tenho a condição de me surpreender e encantar.Tenho a vital necessidade do movimento, do ir e vir,do olhar o caminho e percorrê-lo, acreditando que há um fio entre o real e o sonho.

Meu neto
                                       
É difícil, entretanto, fugir do que nos encanta e emociona. Sou apaixonada por viagens - e essa tem sido a maior e mais duradoura paixão da minha vida. Em um dos primeiros texto que escrevi, o tema viajar já aparecia como uma das opções.

Este blog destina-se à minha família - restrita e ampliada - principalmente aos "pequenos", como Pedro e Massimo, porque talvez eu não os veja adultos.Nele, optei por registrar uma das minhas grandes paixões, que é " andarilhar", e escrever sobre a razão do meu viver, que são os meus espaços e os meus afetos.

Meu neto e eu
                                         
                                    
A presença constante de Fernando Pessoa tem a mesma razão : sou apaixonada pelos textos dele, especialmente pela densidade que  transmitem. 
Recorro a ele para dizer da minha dedicação a cada texto:

Meu marido e eu
                                      

"Para ser grande, sê inteiro: 
nada teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. 
Põe quanto és 
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive". 

Fernando Pessoa

PS. Este post é uma forma de agradecer os 56 mil acessos que este blog já teve - timidamente no início, aceleradamente nos dois últimos anos. Muito obrigada a todos.