quarta-feira, novembro 16, 2011

República Tcheca: Praga


Encanta-me o Leste Europeu. Sempre que posso , vou até lá. Durante esta viagem, reservei cinco dias para Praga, minha paixão maior no Leste. Não tive, entretanto, vontade de escrever sobre ela. Tomei uma decisão - vou incluir aqui um texto que escrevi há cinco anos. Tal decisào só se justifica porque estou hipergripada, com febre e não encontro as anotações feitas durante a viagem. Praga, no entanto, não vai ser prejudicada. Ela continua assim : linda de chorar. O texto é antigo; as fotos, de agora.



"Se você leu " Metamorfose " e " A Insustentável Leveza do Ser" , está na hora de vir a Praga. Outras expressões, como "Primavera de Praga" e " Revolução de Veludo", podem tê-lo levado a lembrar, pensar e ler sobre esta cidade e, conseqüentemente, desejar vê-la. E se já a viu, voltará...Dá saudades.



Praga tem sua origem num Castelo, erguido sobre uma colina, vizinho a uma curva do Rio Vltava, ainda no século IX. Nos arredores do Castelo, surge o "povoado", elevado à categoria de cidade em 1234. No século XIV, Carlos IV constrói a Universidade de Praga, a mais antiga da Centro-Europa, que deve ter sido " o sucesso da temporada", também pelos muitos estudantes estrangeiros que vieram para cá. Já li que " Praga é Paris que se esqueceu de crescer", e penso : ainda bem...está de bom tamanho assim.




Faz três dias que estou aqui. Apesar dos cinco graus negativos, caminho uns 10 km por dia - e não é a primeira vez que venho a Praga. Caminho mesmo. Não uso metrô. Ando devagar. Prefiro me encantar e surpreender a cada momento. Prefiro me emocionar com as minhas descobertas e com a beleza do que descubro .


Quando passeio pela rua Parizska, por exemplo, que serviu de cenário à Metamorfose, olho para os cantos à procura de uma barata imensa! Depois penso na genialidade de Kafka e, em sua homenagem, caminho pelos lugares onde ele viveu e vou ao café que contam que era o seu preferido. Só não fui ao Cemitério Judaico, em Zizkov, onde ele está enterrado, porque considerei "tietagem exagerada"... 



Caminhando, observo detalhes interessantes tanto na arquitetura quanto no comportamento dos visitantes. Eles, em geral, não portam pacotes imensos de compras... (os "dos pacotes" devem estar em outros países...) Portam sim máquinas fotográficas, filmadoras e , assim como eu, portam olhares deslumbrados.


Conheco bem a Slovakia, tanto a capital quanto o interior, e admiro a tranqüilidade e sabedoria (históricas) com que, quatro anos depois do fim do comunismo, a então Checoeslovakia se dividiu em República Checa e República Slovakia, numa pacífica e decidida mesa de negociação. Não percebo ressentimentos. Eram diferentes, inclusive no dialeto usado. Não foi difícil. E a República Checa ficou com Praga.
Bratislava não tem a imponência de Praga, mas é simpatica, tranqüila, agradável e tem o Danúbio que a envolve e embeleza; tem belíssimos castelos e teatros; tem o povo mais gentil que eu conheço...Cuidem! Posso estar sendo tendenciosa...Amo a Slovakia!




Parece-me muito interessante conversar, com pessoas de ambos países, sobre os " heróis da guerra" e os " heróis da paz". Os anos de silêncio fizeram brotar retratos, como o de John Lennon - e mesmo os muito jovens ainda falam nele. Considere-se, entretanto, que a apoteose da Revolução de Veludo é recente (1989). Em geral, escuto análises respeitosas e tranqüilas, sem os passionalismos que marcam os discursos persuasórios - exceção feita àqueles que perderam o centro do poder.
Saio daqui olhando pra trás...querendo voltar. Como um dos personagens de A Insustentável Leveza do Ser , experimento em Praga o "sentido da beleza que liberta da angústia e traz o renovado desejo de viver".