segunda-feira, agosto 16, 2010

Festa familiar no Touro Passo

Airton,Vera, filhos e netos
Estou convicta de que, na minha idade, a gente tem bem mais de uma família. O tempo, o convívio, o afeto e a própria história de vida nos integram a outra(s) família(s) que passam a ser como nossa(s).
Ontem, estive na festa dos 70 anos do Airton Amaral. Quando foram fazer a foto dele com os seus irmãos , por ordem de idade ( Marcos, no lugar de seu pai Arilde , o irmão mais velho,já falecido, seguido de Airton, Arilton, Altamir, Amilton, Antônio Ângelo, Tudinha, Antonio Augusto e Isaurinha) eu fiquei bastante emocionada, com vontade de chorar. Àquela foto, que estava sendo feita, eu sobrepunha outra, feita há 58 anos: casamento da minha irmã mais velha – ela, o marido, eu ( com 8 anos) meus pais e os pais do Airton - uma relação de família, portanto, anterior – eu bem sei - ao nosso nascimento. Rememorei , ainda, duas outras cenas : o pai do Airton chorando no enterro do meu pai e , muitos anos depois, todos os meninos presentes no enterro da minha mãe. Somos , de fato, família.
Na casa deles, nasciam mais meninos – somente duas meninas. Na nossa casa, mais meninas – somente dois meninos. Apesar dessa diferença de gênero, brincamos juntos quando criança, nas visitas que se faziam nossos pais ou nas festas em que a gente se encontrava.
Airton e seus irmãos
De minha infância, já tenho lembranças esparsas, como : Arilton , tremendo ao fazer um exame de leitura na escola; Mile e Antônio Ângelo brigando e brincando juntos, muito amigos de pequenos até hoje; eu levando um presente para o Antônio Augusto quando ele nasceu - Toniquinho foi sempre meu baby brother; a minha admiração pela angelical beleza da Isaurinha e pela firmeza de determinaçao da Tudinha...Da minha adolescência , lembro as festas, a alegria dos encontros, as conversas, as risadas, a amizade sempre. Lembro das viagens com nossos filhos pequenos. Conhecemos a história de cada um dos integrantes de nossas famílias – que Airton e eu gostamos de relembrar e comentar, ampliando também para as histórias da região. Rimos das mesmas histórias já faz mais de 50 anos, como a dos Tinhecos, meninos terríveis da vizinhança. A Vera, com sua paciência e tranqüilidade, escuta as histórias que já conhece de muito tempo – e ri conosco.Gosto muito dela.
Estamos hoje todos entre 50 e 70 anos. Nossos pais têm existência em nossa memória e saudade. Nós temos filhos, netos, sobrinhos, cunhadas, cunhados – gente linda , gente boa , família grande . Como não lembrar da Neneca, da Claide, do Ricardo, do Fábio, do Luciano e dos outros todos ? Interessante e sábia a observação do Ronald quando chegamos em casa: É muito bonita essa outra tua família.
Airton. eu e Ronald
Continuamos, ainda bem, com a condição de estarmos solidariamente juntos, nas mais diferentes circunstâncias :  em casamentos, aniversários, solenidades e funerais. Continuamos com a condição de rir e de relembrar nossa grande família, composta hoje de várias famílias.

Airton, meu amigo-irmão, nosso bem mais precioso é a capacidade de amar, “amar uns aos outros...” e nós recebemos esse tesouro. Agradeço aos Céus por termos tido a condição ,a capacidade e a oportunidade de, a cada encontro, não importando o tempo de afastamento, darmos continuidade aos assuntos como se tivéssemos nos encontrado um dia antes - invariavelmente iniciando as conversas com o "tu te lembras...?". Isso é o que importa. Esse é o verdadeiro vínculo familiar.