terça-feira, agosto 25, 2009

Auguri!

Amanhã é o aniversário do meu filho, Paulo de Tarso, a quem eu chamo de Patati. Talvez essa data tenha desencadeado tanta nostalgia, tantas recordações, que me impediram de dormir. Noite longa e insone! Rememorei o dia anterior ao nascimento dele, 25 de agosto. Trabalhei , nesse dia, durante três turnos - eu estudava e tinha três emprego. À noite, no terceiro turno de trabalho, consegui dar as quatro aulas programadas. Cheguei em casa às 22h30min. Havia entrado, prematuramente, em trabalho de parto.
Eram , ainda , tempos duros de repressão. A memória do 1964 estava viva e doída. Eu protelava, por isso, à ida para o hospital , esperando passar a meia-noite, querendo que meu filho nascesse no dia 26. O médico - Dr. Romário - entendeu -me e concordou em fazer a cesareana depois do "Dia do Soldado". Somente quem viveu naquele período politicamente difícil entenderá isso, que hoje pode parecer uma bobagem. Nasceu Patati com oito meses de gestação, magrinho e feio. Ficou três dias numa caixa de vidro, em meio a fios e aparelhos. Eu ia vê-lo três vezes por dia, durante alguns minutos. Sentia um medo terrível de que ele não sobrevivesse. No quarto dia de sua vida, retornamos à casa. Uma semana depois , retornei a um de meus empregos, um pré-vestibular onde eu ensinava Língua Portuguesa. Eu tinha 27 anos, tinha força e determinação. Queria ser uma boa profissional. Patati cresceu sadio, inteligente e bonito. Nunca o imaginei o adulto de hoje. Ele era apenas o menininho que eu desejava tanto, após ter tido uma menina. Os filhos crescem e se vão. Rápido demais! São tão lindos e tão diferentes entre si.

"Há pessoas a quem o arranhar das paredes impressiona
E outras que se não impressionam
Mas o arranhar das paredes é sempre igual
E a diferença vem das pessoas. Mas se há diferença entre este sentir
Haverá diferença pessoal no sentir das outras coisas
E quando todos pensem igual duma coisa é porque ela é diferente para cada um".
Fernando Pessoa