quinta-feira, junho 04, 2009

Que assim seja!



Um dia, quando eu era muito jovem, acreditei na instituição casamento. União estável . Senso de família. Presença amorosa. Projetos comuns. Partilha cotidiana. Ética nas relações. Generosidade e gentileza nos sentimentos.

Um dia , já faz muito tempo, eu deixei de acreditar na instituição casamento. Perda sucessiva de referenciais de lealdade e afeto. Sensação de morte. Ruptura sofrida. Revolta dolorida. Vazio. Solidão aceita.

Superadas as duas fases, assumi minha solteirice. Liberdade total. Autonomia total. Solidão idem - autonomia e solidão se aproximam sempre. Maturidade bem amadurecida. Relacionamentos , ainda que efêmeros, fantásticos por si mesmos ou pela aprendizagem aportada. Embora sendo um riquíssimo período de vida, desejei modificar esse percurso. Não queria mais estar sozinha no café da manhã ou nas manhãs da vida. Milan Kundera escreveu algo semelhante a mais importante do que dormir junto é acordar junto. Eu desejava afeto e companheirismo.

Um dia, portanto, voltei a acreditar na instituição casamento - para toda a vida, considerando que esta minha vida já não será longa, ainda que eu supere as estatísticas oficiais. Desta vez, especial atenção à gentileza dos sentimentos e à fidelidade dos atos e das palavras. Projetos de -simplesmente - viver bem. Resgate do desejo de uma vida compartilhada com ânimo e encantamento. Tudo pronto. Estou feliz.
”Eu tenho uma espécie de dever, dever de sonhar, e sonhar sempre, pois sendo mais do que um espetáculo de mim mesmo, eu tenho que ter o melhor espetáculo que posso.” Fernando Pessoa