sexta-feira, abril 03, 2009

O sertão nosso destes dias





















Faz já algumas semanas que não chove aqui, na Bela União. Terminou o março sem as "águas de março". As plantas mostram sinais evidentes de sofrimento - déficit hídrico, diria o Afrânio. Os gramados trocam o verde-vivo por um cinza-triste. Os campos começam a perder vitalidade e a escurecer. À noite, faz frio; durante o dia, calor. Lembro-me do sertão da Bahia - e recordo as dificuldades das gentes daquele lugar. Ontem fui à cidade buscar água potável para uso doméstico. Minha primeira leitura da manhã é a previsão do tempo, que não nos acena com chuvas para os próximos dias. Olho o céu azul - azul, sem nuvens, e a desesperança ofusca a beleza. Mas um dia vai chover, pois, como dizia "seu" Armando, desde que o mundo é mundo sempre choveu. Precisa-se de paciência.




















"Deus costuma usar a solidão
Para nos ensinar sobre a convivência.
Às vezes, usa a raiva para que possamos
Compreender o infinito valor da paz.
Outras vezes usa o tédio,
quando quer nos mostrar a importância da aventura e do abandono.
Deus costuma usar o silêncio
para nos ensinar sobre a responsabilidade do que dizemos.
Às vezes usa o cansaço, para que possamos
Compreender o valor do despertar.
Outras vezes usa a doença, quando quer
Nos mostrar a importância da saúde.
Deus costuma usar o fogo, para nos ensinar a andar sobre a água.
Às vezes, usa a terra, para que possamos
Compreender o valor do ar.
Outras vezes usa a morte, quando quer
Nos mostrar a importância da vida."

Fernando Pessoa