domingo, janeiro 18, 2009

Lição de desperdício

Ontem , por acaso, escutei a longa conversa de uma mulher , que devia ter uns 50 anos, que era bonita e evidenciava a necessidade de falar sobre sua separação, fazendo real uso da função emotiva da linguagem. Contava que, há dez anos , fora abandonada pelo marido, que saíra de casa com uma amiga sua. A história não podia ser mais banal e repetida: um homem, em plena crise dos cinquenta, uma mulher ambiciosa, uma circunstância favorável e o esquecimento de qualquer preceito ético na relação familiar. Não foram os fatos narrados que me impressionaram. Foi o desperdício de vida de quem os narrava. Como uma pessoa, depois de dez anos, perdia um belo tempo de convivência com outras pessoas contando aquela história, seguramente muitas vezes repetida? Concordo que é difícil esquecer um problema assim: seja cedo - com uma missa de sétimo dia - seja mais tarde, depois do nono mês - expulsando as dores e renascendo. Penso, entretanto, que um ano de lamúrias pode estar de bom tamanho, mas dez anos é exagero! Viver parte da sua vida na vida do outro - pior ainda, na vida da " outra" - sabendo o que fazem, por onde andam, como vivem, o que dizem, é uma pena. A vida é tão breve. E , como escreveu Swami Vivekananda:
" Nossos pensamentos,nossas palavras, nossos atos, são fios de uma rede que tecemos ao redor de nós mesmos." Itálico
Ou como escreveu Fernando Pessoa , minha paixão:
“A liberdade é a possibilidade do isolamento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo.”