sexta-feira, julho 04, 2008

Europa / Índia : Crônica de azares anunciados


Índia

30 de junho - Estou no trem partindo de Napoli para Roma. Estranho que sinto, além da tristeza de deixar este lugar tão bonito, um pouco de medo: medo de perder as conexões, medo de perder a bagagem, medo do calor de Delhi, medo de ficar doente, além do meu natural medo de avião. Aprendi que não se é feliz o tempo todo e que preciso aceitar a tristeza como um estado de alma igual a qualquer outro – que vem e que vai muitas vezes sem motivo único ou determinado. Hoje amanheci triste. Saudades da família.


Índia

30 de junho – verdadeiramente caótica minha viagem Roma – Berlin – Munich. Até Berlin, tudo bem. Fiz a conexão para Munich e, no horário estabelecido, houve o embarque. O avião entrou na pista para decolar, retornou ao ponto de partida e aí ficou cerca de uma hora sem nenhuma informação aos passageiros. Súbito , mandaram todos desembarcar porque, segundo disseram, havia problemas técnicos com a aeronave. Voltamos ao check in....Maior confusão! Entrei em contato com um supervisor da Companhia e informei que tinha vôo para Delhi, às 20:10 e que o tempo de que dispunha já se estava esgotando. Acomodaram-me em outro vôo, mas já me avisaram que a bagagem não chegaria a tempo.
























Estou agora partindo para Munich. Levo a mochila com o computador, I-Pod, câmera fotográfica e , por um sadio hábito de viagem, levo junto algumas roupas e objetos pessoais. Se der tempo , viajo para Delhi sem a bagagem...A bagagem poderei recuperar depois, mas o bilhete, como não é conjugado, eu perco se não viajar.























30 de junho/ 01 de julho - Eu não conhecia o aeroporto de Munich. Estive nessa cidade algumas vezes , mas sempre cheguei e parti de trem. É imenso...ou me pareceu maior ainda porque eu dispunha apenas de uma hora para localizar o terminal 2 (internacional) e fazer o check in para Delhi. Custou-me encontrar o terminal e o box da Lufthansa. Como estava sem bagagem, fiz check in expresso e entrei no gate indicado quando se estava iniciando o embarque.






Avião cheio. Assento horrível, entre uma gorda ( sic!) antipática e um homem que exalava um cheiro horrível ( ainda bem que, quando ofereceram , antes do jantar, as toalhinhas úmidas e mornas para passar nas mãos, ele aproveitou e passou nas axilas também !!!!). Não consegui dormir. Estava tensa e agitada. No vídeo individual, vi o filme sobre Edith Piaf. Uma tristeza! Ou eu não consegui enxergar nada mais do que isso naquele momento. Às 07:10, cheguei em Delhi, onde um amigo me esperava com um colar de flores amarelas( haar, em indi ), muito perfumadas, tradicionalmente oferecido como sinal de boas vindas. 


Chegada em Delhi


Falei por telefone com Fabrício e Krithika e senti-me segura naquela imensa cidade. Fui para um bom hotel e dormi quase toda a tarde. Saí somente para ir à internet e comprar produtos de higiene pessoal. À noite, antes de dormir, repassei a lista do que portava na mochila e a lista do que se perdera na mala. Havia um certo equilíbrio entre o que fora salvo e o que se perdera. Dormi muito bem. Pensei que meus problemas haviam terminado.



Índia


02 de julho – Senti-me na Índia logo ao acordar e tomar café. Tomei um legítimo café indiano e s
aí a passear. Fazia 45 graus! Fui primeiro a um Templo. Fiz todos os rituais. Depois saí a passear. Fiz fotos. Comprei uma echarpe. Almocei num bom restaurante , tomei um copo de lassi ( leite coalhado ) e comi um arroz com vegetais e um paratha (pão semelhante a uma panqueca). Fui à internet e escrevi um relato da perda da bagagem. Mandei -o para a Krithika, que me ajudava a fazer os encaminhamentos. Voltei para o hotel e dormi logo.

Índia




















03 de julho - Acordei -me de madrugada com uma terrível crise de labirinto, tonta e vomitando desesperadamente. Os medicamentos que eu trouxera do Brasil estavam todos na mala perdida. Suportei até o início da manhã. Chamei meu amigo que pediu ao hotel que chamasse um médico. Eu estava passando muito mal. Meu medo inicial se concretizava aos poucos e dolorosamente – intuição DA BRABA, como dizem lá fora. O médico veio logo, portando uma pasta imensa – parecia a caixa de ferramentas do Mile.


Índia

Dos instrumentos que trazia, eu conhecia mesmo o aparelho de medir pressão – a minha estava normal. Ele me fez um exame minucioso e passou a explicar , em INDI, para o meu amigo, o que concluíra. Nesse momento, virou sobre a cama uma caixa de medicamentos e começou a preparar injeções . Perguntei afinal o que eu tinha. Ele respondeu que era uma crise de labirintite ocasionada por alimentos fortes em clima muito quente. Levei fé! Aplicou-me duas injeções, uma sei que era para dormir. Pobre médico indiano!não reconhece quem toma vallium e lexotan desde criancinha . A injeçao não me fez nem cochilar!




















 Explicou que eu devia ficar “clean”, que devia vomitar tudo e me deu, ainda, outro remédio para acelerar a limpeza - esse duplicou meu número de idas ao banheiro. Entendi que a limpeza deveria atingir o outro extremo. Com uma tesoura, passou a separar o número de comprimidos que eu devia tomar. Proibiu-me qualquer alimento sólido durante o dia, apenas devia beber muito líquido. E nada de lassi, nada de tali, nada de paratha - nada que eu não estivesse habituada a comer.



Índia




















Era um senhor muito profissional e que me pareceu honesto. Eu pensava, nesse momento, no entanto, quanto ele iria cobrar : vinda ao hotel para ver turista, consulta, aplicação de duas injeções e todos os medicamentos. Quando disse o valor, fiquei entre surpresa e emocionada: mais ou menos 22 reais. Isso mesmo: o equivalente a 12 dólares. No final do dia, eu estava bem. Consegui ir à Internet e ler uma mensagem da Air Berlin , informando que minha mala chegaria no dia seguinte, no aeroporto de DELHI. Gracias a todos os deuses da Índia.


Índia


04 de julho - Amanheci ótima. Fui ao aeroporto, falei com 8 pessoas, assinei 12 papéis e saí com minha mala, sentindo como se tivesse ganho de presente tudo o que ela continha, inclusive a própria. Almocei com meus amigos e vim para Chandigar - sobre essa cidade escreverei amanhã. Estou em um excelente hotel , que tem internet livre!


Chandigar