quarta-feira, julho 09, 2008

Chamba Valley





















É difícil para mim pensar em Mc Leod Ganj como Índia. É Tibete. E eu ainda cheguei lá no dia do aniversario do Dalai Lama. Muitas bandeiras coloridas nas montanhas, ao vento, para espalhar mantras, marcavam esse dia tão especial para os tibetanos. Fiquei dois dias lá. Fui ver Fabrício , Krithika e as crianças. Afetivos, maravilhosos.





















Revi também outras pessoas, como o gerente do Green Hotel, que é tão meu amigo, e os muitos meninos tibetanos, que trabalham ali e que me aguardavam com alegria e espontaneidade. Não me cobraram a primeira refeição que fiz , como sinal de boas vindas.Fui ao templo budista, fiz compras em lugares que eu conhecia, passeei apesar da chuva persistente.























Saí de lá hoje cedo, em direção a Chamba Valley, passando por Dharmsala. Como viajei por estradas de montanhas, foram 7h para percorrer 140 km – uma média, portanto, de 20 km/h. Ótimo que tenha sido assim porque o panorama que se vê é belíssimo...o tempo todo. As estradas são estreitas, feitas para um carro só. Quando vem outro carro, o que tiver melhores condições pára, às vezes dá ré, e procura ajudar o outro carro a passar. Mesmo assim, a distância entre um espelho e outro não deve ultrapassar a três cm. Sempre me surpreende essa precisão e solidariedade e ajuda mútua; entendo, entretanto, que é questão de sobrevivência.






















Muito bonito ver as elegantes mulheres indianas, com suas roupas de seda, coloridas, às vezes com muitos bordados, pastoreando animais ou carregando comida para eles. Também vi muitas crianças saindo da escola – as meninas vestindo “salwar , kamiz & chunni “ ( calça, túnica e echarpe ) em tons de rosa. Lindas! Aproximando-se de Dalhousie, surgem as casas entre as florestas das montanhas. São casas de duas águas, com telhado em pedra azul acinzentada. Dalhousie está espalhada entre cinco montanhas ,com alturas entre 1300 e 2400 metros. Onde estou, no centro da cidade, predominam os prédio de hotel, que estão espalhados também nas montanhas e são pintados com cores fortes, principalmente vermelho e verde, proporcionando fantástico panorama.























Estou, sem preconceito, conhecendo a parte “moderna”da Índia. Dalhousie foi fundada em 1853, por Lorde Dalhousie, governador geral , nesse período. Cheguei aqui pela leitura da biografia de Rabindranath Tagore, prêmio Nobel de Literatura, que veio , em 1873, passar , com seus pais, alguns meses em Dalhousie “ alternando estudos e orações com passeios por lugares esplêndidos dessa parte do Himalaya “. Dele, estou lendo agora “Lipika”, em italiano, um texto de comovente beleza. Lembro-me , agora, que meu contato inicial com textos de Tagore, ainda na Faculdade de Letras em Alegrete. Foi nas aulas de Débora Merten, professora e pessoa de quem eu gostava muito - e ela gostava muito de mim tamb'em. Como um professor inteligente e de personalidade forte pode marcar uma aluna e tornar-se lembrada mesmo depois de tanto tempo - e com saudades.