sexta-feira, junho 06, 2008

Napoli




Encantam-me as diferenças. Gosto de conhecê-las e reconhecê-las.
Penso que foi essa a razão principal por que morei sete anos na Bahia. Conheci um pouco da cultura baiana e , de quebra, entendi melhor a minha cultura do Sul. Como superei a fase de fazer comparações e aprendi que cada lugar é único, transito bem em culturas diversas.

Faz muitos anos que venho à Itália, principalmente ao Norte. Nos últimos três anos , entretanto, tenho vindo ao Sul, pela mesma razão por que morei na Bahia.
Estou agora em Napoli, em Vomero, um bairro de classe alta, num apartamento, no quarto andar de um “palazzo”, na esquina de uma via pedonale, onde está o comércio “chic” da cidade . Importante: pago aqui muito menos do que pagaria num hotel médio, em qualquer capital do Brasil – ou até em Santa Maria.
Concordo com Lídia, minha amiga de Roma, quando me diz que Napoli se parece com a Bahia, especialmente pela alegria, pela extroversão e pela facilidade com que se expressam . Já estou, como diz a Zeli, minha irmã, “amiga de infância”da senhora da Salumeria. Desde o dia em que cheguei, ela me aconselha e me diz o que devo ou não devo comprar. A cultura alimentar na Itália é muito forte e precisa. E se come muito bem em todas as regiões, mas o tomate do Sul é insuperável. A pizza margherita é uma instituição aqui : é a pizza verdadeira, segundo os napolitanos, feita basicamente com pomodoro, basílico e mozzarella. Em Napoli, tem-se o domínio dos “3 PP”: pasta , pizza e pomodoro ( tomate).
Voltei faz pouco das compras - compra de alimentos. Comprei queijos saborosos, pão, salame e um litro de azeite de oliva extra virgem . Ontem o havia comprado errado: pedi azeite de oliva, não dizendo que devia ser extra virgem. Quando o abri, percebi que não tinha aroma nem gosto de oliva. Aprendi, então, uma coisa: o azeite extra virgem é feito com o esmagamento da azeitona natural. É o primeiro azeite que sai. Depois dele, aquece-se a azeitona e retira-se esse outro azeite de segunda mão, ou de segunda qualidade.
Há bons restaurantes e cafés muito próximos do apto. Mas o que me faz lembrar muito da Cibele, da Zeli, da Alda e de tantas outras pessoas de que lembro sempre, é o comércio de roupas, sapatos, bolsas e acessórios. Alta qualidade – e altos preços naturalmente – em coisas belíssimas, elegantes e muito coloridas, lançamentos para o verão que está chegando.
Posso ir caminhando, porque é bem perto, ao Castel Sant’Elmo, na ponta de uma rocha e de onde se tem inesquecível visão panorâmica da cidade; a La Floridiana, um palácio num parque grandíssimo, onde está o Museu Nacional da Cerâmica ( e da porcelana); e a Certosa di San Marino, antigo monastério que abriga hoje o Museu Nacional , com a coleção de presépios napolitanos e a história do teatro local.

É muito forte realmente a tradição de cinema e teatro em Napoli, basta lembrar Sophia Loren e Vittorio de Sica. Napoli é , para mim, um mundo a descobrir.
Reconheço que é uma fortuna estar num lugar assim. Pretendo aproveitar bem este tempo e este lugar.