domingo, janeiro 13, 2008

"Filhos... Filhos?Melhor não tê-los!"


















Filhos... Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-lo?

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Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos

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Chupam gilete
Bebem shampoo
Ateiam fogo
No quarteirão.
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!

Li esse Poema Enjoadinho quando eu não tinha filhos, quando a filha era eu ( Vinicius de Morais o escreveu na década de 60) . Achei-o bonitinho. Hoje ele me parece incompleto. Passa a fase de beber shampoo - e os meus beberam. Passa a fase da adolescência - belissima, mas mesclada de angústias e inseguranças.... Tornam-se adultos - a fase hoje das minhas crianças. E, então, vão embora! E têm que ir. Mas vem a saudade - essa saudade que me faz falta o poema referir.

Recordo quando Patati , que estava terminando a Universidade , reclamou do pouco tempo de que eu dispunha para estar com ele. E me disse: "logo eu vou embora e não teremos mais esse tempo para conversar e conviver". A afirmação me pareceu estranha. Meus filhos sempre estiveram comigo. Eu sentia como se isso fosse para sempre. Já faz 12 anos que ele foi morar em Atlanta. Fabiana havia saído antes de Patati. Gugu saiu há quase dois anos. Foram-se!

Aprendi com minha mãe que não se deve chorar facilmente. "Quem por tudo chora, por nada tem sentimento" dizia sempre ela. Eu raramente choro. Hoje, entretanto, chorei de saudades dos meus filhos. Recordei-os em todas as suas idades. Lembrei-me de suas histórias, de suas roupas, de seus brinquedos, de suas festas de aniversário, de seus problemas na escola, de seus amigos, de suas doenças, de suas alegrias, de suas dores, de suas paixões. À saudade deles acrescentei também a saudade de outros filhos que a vida me deu: Mile, Claudinha, Frederico, Fernando, Fabianinha, Cláudio, Edmara e Fabricios ( o Menine e o do Canto). Todos tão maravilhosamente diferentes entre si. Todos tão bonitos e tão boa gente. Todos , com exceção da Fabianinha, neste momento, estão geograficamente distantes de mim. Todos , contudo, tão presentes no meu afeto e nas minhas lembranças.


Quando penso nos meus filhos, penso nos meus erros e acertos. Nos erros, principalmente, embora a gente nunca consiga delimitar ou visualizar essa fronteira entre acerto e erro . Já faz alguns anos, recebi uma mensagem do Patati .Esquecendo os conselhos da minha mãe, chorei muito ao recebê-la!Deixo-a aqui para os meus netos ( licença, meu filho?):


"A minha mae gosta de jardins e plantas. Em todas as casas que nós moramos, ela plantou um jardim enorme. Arvores frutiferas, flores, arbustos. Plantas que, depois de muitos anos, depois que a casa já tinha esquecido da gente, certamente dao frutas e alegria e sombra para pessoas que a gente nunca conheceu. Ela plantava sem nunca se perguntar para quem plantava ou quem colheria os frutos.

A minha mae gosta de gente. Por todos os lados onde ela passou, ela cultivou gente. Como plantar um jardim. Encontrar boas pessoas, coloca - las no lugar correto, dar as condiçoes para que cresçam, o apoio, o ombro para chorar quando precisam, o puxao de orelha quando necessario, principalmente o entendimento de que cada pessoa cresce diferente, e que o papel do jardineiro nao é de crescer a planta, é só de fazer o possível para que a planta possa crescer.

A minha mae gosta de ser mae. É a maior mae do mundo. É mae minha, do gugu, da Fabiana, do tio mile, da fabianinha, do fernando, do fabricio, de tanta gente que eu conheço, de outras tantas que eu nunca conheci. O mais incrivel é que mesmo tendo que dividir a minha mae com tantos outros filhos, eu nunca tive falta de mae. Sempre teve amor para todo mundo - e de sobra.



Eu te amo muito Mae, feliz dia das maes!


Patati


Obs. Sempre que a leio, choro.Apesar do exagero, quero acreditar no meu filho.Me faz bem.