sábado, setembro 15, 2007

"...chove sem parar."




Chove muito.


Sinto saudades de pessoas, lugares, momentos, sabores, formas e cores. Saudades dos sonhos, das utopias, das crenças, dos desafios enfrentados, dos problemas solucionados, dos resultados alcançados.
Se a chuva parar, sairei para fora de casa - e essa nostalgia certamente desaparecerá. Dará lugar à euforia pela mudança de estaçao. Já se sente a primavera nas brotaçoes verde-jovem de todas as plantas, nas flores perfumadas das bergamoteiras e laranjeiras, na profusao de cores e formas dos pomares e jardins.

Minha amiga Cleuza Alonso , ao referir-se à experiência de viver no Nordeste, falava da tristeza causada pelas ausência das quatro estações. Sempre calor.Sempre igual. Era como se viver em banho-maria , segundo ela. Durante os anos em que morei na Bahia, também experimentei essa sensação. Talvez por isso me encante tanto a percepção da troca , às vezes lenta, às vezes abrupta, de estações, sentida um pouco pelo clima, muito mais pelas transformações no ambiente.

Planto muito, principalmente árvores. Patati escreveu uma vez que meu grande mérito não era plantar, era jamais perguntar quem comeria os frutos. Verdade. Minha mãe também era assim – nem se perguntava se chegaria ver os frutos. Acredito que a historicidade é componente da alegria de viver: planta-se sabendo que antes de nós alguém plantou e que depois de nós alguém plantará – e mais flores e frutos povoarão o mundo. Beleza e alimento. Fundamentais.
"Cai chuva do céu cinzento
Que não tem razão de ser.
Até o meu pensamento
Tem chuva nele a escorrer.
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Porque verdadeiramente
Não sei se estou triste ou não.
E a chuva cai levemente
Dentro do meu coração."
Fernando Pessoa